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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Uma tribo da Alemanha oriental

Vamos voltar no tempo e imaginar que estamos na Alemanha ainda com um muro dividindo a nação. No lado ocidental, artistas já mostravam suas ideias através das pinturas nessa parede, mas o oriente encarava o cinza todas as manhãs.
1989, o muro de Berlim é derrubado e restam partes dele espalhadas pelo país. Artistas juntam-se e resolvem “decorar” a face oriental da muralha e, a partir daí, surge a East Side Gallery, uma exposição de grafites ao céu aberto.Se imaginar uma tribo em nosso próprio país e época já é complicado, mais difícil é tentar visualizar um grupo do outro lado do mundo e em um tempo de repressão. Mas os seres humanos são os mesmos em qualquer lugar e sentem necessidade de formar comunidades para mostrar aquilo que acreditam, como ocorre nas pinturas do muro. Os grafites foram feitos por artistas vindos de vários países, alguns famosos no meio e outros desconhecidos, porém todos mostrando sentimentos perante aquele antigo símbolo de separação.A região do muro de Berlim durante um tempo ficou conhecida como espaço perigoso e clandestino. Hoje várias tribos reúnem-se nos galpões abandonados do espaço e aproveitam a liberdade para expressar suas opiniões e fazer aquilo que eles gostam.
Os grupos, em sua maioria, necessitam de espaço público para praticarem suas atividades., locais estes que nem sempre estão disponíveis. O East Side Gallery é um exemplo de uso de um local abandonado para registrar a marca de uma tribo; não há donos nessas paredes, são somente artistas utilizando um símbolo da repressão para a expressão.
Mais sobre o Muro de Berlim no site DW que também traz sobre a restauração dos grafites. Sobre a East Side Gallery, vale a pena o video abaixo do programa Lugar Incomum, do canal Multishow.

sábado, 23 de outubro de 2010

Entrevista II


Dando continuidade às entrevistas com profissionais que lidam com o comportamento humano, a conversa de hoje é com a psicóloga Nora Rabinovich. Ela nos conta qual a importância de fazer parte de um grupo, como isso afeta o homem e a influência disso na vida em sociedade.


Nas Tribos
:
Por que é importante, do ponto de vista psicológico, as pessoas se reunirem em grupos/ tribos?

Nora Rabinovich: O grupo quando sintoniza com nossas necessidades psicológicas permite desenvolver no indivíduo o sentimento que proporciona segurança emocional. Assim a pessoa sente-se protegida, apoiada, transmitindo o sentido de pertencimento, tão raro ao ser humano que se reconhece como gregário.

Nas Tribos: Não pertencer a um grupo, com interesses em comum, pode causar problema psíquico?

Nora Rabinovich: Os grupos podem funcionar como curadores sociais e a convivência atua como vacina contra as ameaças à saúde física e mental. Em determinados momentos de fragilização do indivíduo, tais como situações conflitivas e de vulnerabilidade, as relações sociais intensas e positivas vivenciadas nos grupos promovem companhia e prazer.

Nas Tribos: Qual o poder de influência do grupo em seus membros?

Nora Rabinovich: As identificações entre os pares promovem uma validação da identidade do sujeito e assim a autoestima dos seus membros fica preservada. A vida em grupo ajuda a conter angustias individuais.
Muitas vezes o contágio emocional entre os membros evidencia-se com clareza. O espírito de grupo: “um por todos, todos por um” proporciona desenvolvimento individual e grupal quando o objetivo é positivo. No entanto quando ansiedades e defesas dos seus membros cristalizam-se manifestam-se também estados regredidos que tomam conta do psiquismo. Vale dizer também que quando o grupo não reflete as necessidades do indivíduo , o sentimento de incompreensão podem ser potencializados chegando até extremos de fobia social e isolamento.


crédito da foto: totodacabeca.blogspot.com

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Dica de Filme: Vidas sem Rumo

Não é de hoje que fazer parte de um grupo é complicado, sempre existiu e sempre vai existir uma divisão feita naturalmente e sem a gente perceber. Isso acontece, como já foi mencionado aqui no blog, por afinidades e diferenças que as pessoas têm entre si.

Para ilustrar vou comentar sobre o filme “Vidas sem Rumo” do diretor Francis Coppola do ano de 1983.

Com grandes nomes do cinema, desconhecidos até então, como Patrick Swayze, Matt Dilon, Tom Cruise, Diane Lane, entre outros, o filme mostra a vida de um grupo de amigos tipicamente americanos entre 14 e 18 anos em plenos anos 80.

Os adolescentes pertencem a duas tribos: uma denominada Socs (dos meninos mais abastados) e a outra greasers (classe trabalhadora). A rivalidade é nítida desde o começo e às vezes levada ao extremo.

O personagem principal narra a história de uma forma que faz o telespectador refletir sobre algumas coisas que vemos até hoje nas ditas “tribos”.

O que mais me chamou a atenção foi o poder do grupo sobre seus membros. A vontade do todo vale mais do que a individual, e isso gera certo desconforto já que a qualquer momento o desejo pessoal pode vir à tona e mudar toda uma dinâmica já pré-estabelecida e costumeira a todos.

A quebra de valores também está presente trazendo a reflexão de até onde somos capazes de ir para defender alguém próximo. O que somos capazes de fazer quando o grupo está ameaçado?

Existe algo dentro de cada um que nas horas mais cruciais que nos fazer reagir, certo ou errado, não me cabe julgar, mas que fique para ser pensado: Como nossas atitudes em grupo afetam nossas próprias vidas e daqueles a nossa volta e se isso não pode trazer alguma mudança de postura perante a sociedade.

Enfim, meu intuito aqui era traçar alguns pontos chaves do filme que se encaixam com o tema do blog e aguçar a curiosidade de vocês para assistirem. O filme vale a pena, eu recomendo.



crédito da foto: http://www.araraquara.com/blogs/cinelide/2009/09/23/vidas-sem-rumo-doces-marginais.html

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Tribos em séries: bullying

Quando surge algo novo e diferente o ser humano tende a rejeitar essas mudanças, como bem foi explicado na entrevista com o professor André Arruda. O problema é quando a rejeição vem acompanhada de agressão. Uma prática que, infelizmente, é muitas vezes comum e praticada principalmente nas escolas é o bullying.

Bully é o termo em inglês para brigão e o verbo significa ameaçar, amedrontar, intimidar. Segundo informações da revista Nova Escola, “bullying é uma situação que se caracteriza por atos agressivos verbais ou físicos de maneira repetitiva por parte de um ou mais alunos contra um ou mais colegas”. Na era da informática em que vivemos tem se falado também do cyberbullying, a versão digital desta prática. O bullying nasce muitas vezes por causa dos desentendimentos entre diferentes tribos e na escola surge nas brigas entre as famosas "panelinhas" (divisões de uma mesma classe em grupos que tenham gostos em comum).

Um filme que trata da questão é Bang, bang, você morreu. O longa foi produzido em 2002 e retrata a vida do estudante Trevor Adams retornando para a escola após quase explodir (literalmente) o time de futebol. O garoto não praticou o ato, mas a intenção já rendeu grandes mudanças na segurança escolar. Trevor passa a frequentar o grupo de teatro coordenado pelo professor Duncan, que o incentiva a fazer a peça (que dá nome ao filme) e a continuar vivendo, já que o rapaz tenta diversas vezes cometer suicídio. Apesar da produção do filme ser bem simples, o roteiro estimula as discussões sobre bullying e mostra cenários da escola com as tribos bem distinguidas e não se relacionando, mas querendo destruir umas as outras e praticando atos de rejeição nos “mais fracos” da hierarquia escolar. (Mais sobre o filme aqui e artigo do site Canal de Imprensa aqui)


Por outro lado, temos uma das mais populares séries de comédia da televisão americana: Glee. Os episódios mostram o cotidiano do clube de coral de uma escola, aonde os membros do Glee Club são os mais baixos na cadeia alimentar escolar, sendo ignorados por todos e levando raspadinhas de suco de uva na cara quando menos esperam. As coisas começam a mudar quando novos membros passam a participar do coral: líderes de torcida, jogadores do time de futebol; todos precisam aprender a conviver uns com os outros, losers e populares, caso queiram cantar juntos. As ameaças externas continuam, mas a série mostra que é possível superar os preconceitos entre tribos caso exista uma amizade, ou ao menos respeito, entre os diferentes grupos. (Mais sobre a série no site Glee Brasil)

O bullying pode parecer briga de criança ou uma prática inocente e rara, mas é uma atitude bastante comum: uma pesquisa feita pela ONG Plan Brasil revelou que 28% dos alunos já sofreram maus tratos na escola. O bullying é uma atitude que pode causar danos para a vida inteira de uma pessoa e, ao mesmo tempo, é uma prática que poderia ser facilmente evitada desde que diferentes tribos conseguissem conviver com respeito umas com as outras.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Entrevista

Hoje posto uma entrevista com o professor André Arruda pesquisador em sociologia sobre Tribos Urbanas

Nas Tribos: O que é tribo? Como elas se estruturam?

André Arruda: Na verdade, para falar de tribos urbanas é mais fácil definir o que tribo urbana não é: não é um conceito nem uma categoria acadêmica. Pode ser uma metáfora utilizada pelo senso comum que ajuda a ter noção de conjuntos de fenômenos e relações nas grandes metrópoles constituídos por grupos de jovens entre 13 a 30 anos de idade envolvidos em atividades e praticas cotidianas com as quais se identificam. O termo tribo é usado pelos meios de comunicação para facilitar a identificação desses grupos. Isso acaba prejudicando a compreensão do termo que pode ser visto como preconceituoso e estereotipado como violento e radical.

Nas Tribos: O homem tem a necessidade de viver em grupo. Como isso ocorre?

André Arruda: Os seres-humanos não vivem isolados. Na convivência cotidiana é natural que o homem vá buscando vínculos e níveis diferenciados de interação. Assim vai se construindo e descobrindo características de identificação. Cada indivíduo é feito por várias associações de gostos e afinidades, acontece uma bricolagem de elementos que definem o sujeito. É reconfortante saber que você pertece a um grupo, que não está sozinho no mundo.

Nas Tribos: Sobre as Torcidas Organizadas, por que existe tanta rivalidade dentro de uma mesma torcida?

André Arruda: A mesma coisa que os une, os separa, apesar de todos terem a mesma paixão por um time, por exemplo, o Palmeiras. A maneira como vão demonstrar essa paixão e como esse grupo de torcedores vai ser conduzido, vai ser diferente porque a disputa pelo poder está muito presente. O objetivo coletivo poder ser o mesmo -torcer pelo Palmeiras- porém as ambições pessoais de cada membro influenciam na postura do conjunto. Existe uma disputa para saber qual torcida é a mais legitima, a mais exclusiva. O que se busca é um status social mais elevado, a pessoa se sente mais valorizada.

Nas Tribos: Como lidar com o preconceito que as tribos sofrem?

André Arruda: Isso acontece porque ao pensar em tribos nós já temos uma imagem pré- concebida de algo ruim. A maioria das pessoas busca se comportar de maneira “normal” e se adequar as diversas situações do cotidiano. Tudo aquilo que se destaca, que se apresenta de maneira diferenciada da maioria, vai sofrer um olhar estigmatizante, de surpresa, espanto e às vezes de repulsa. Mas depende do ambiente e de como as pessoas irão identificar a atitude de determinado grupo. As pessoas acabam se acostumando com o diferente depois de um tempo de convivência.

crédito da foto: oglobo.globo.com

sábado, 18 de setembro de 2010

Para entender melhor...


O ser-humano tem a necessidade vital de se agrupar, é uma questão de proteção e sobrevivência. Com base no livro O Tempo das Tribos, de Michel Maffesoli, passo alguns dos conceitos sobre como e por que nascem as tribos.
Imagine-se no primeiro dia de aula na faculdade, quarenta a cinqüenta pessoas que você nunca viu e que daquele dia em diante vão fazer parte da sua vida por quatro anos. A primeira coisa que você faz é analisar todos a sua volta reparando nas roupas, mochilas, aí você se pergunta onde eu me encaixo? O que eu faço? Se você não sabe tudo bem, porque naturalmente você vai ser levado pela maioria e ela vai te mostrar como agir. È instintivo “fazer como os outros” em situações novas e adversas. Então fique tranqüilo, tudo vai se ajeitar naturalmente sem você fazer qualquer esforço.
O que acontece então é que querendo ou não formam-se diferentes grupos unidos por algo em comum, para Maffesoli isso deve se entender como laço( familiar, de amizade etc.) que na idade media era encarado como “obrigação”, a ajuda ao próximo era um dever e uma demonstração de honra. Isso gera exclusividade as pessoas daquele grupo que vai desconfiar o que não lhe é conhecido. Assim existe um mecanismo de “atração-repulsa” onde as pessoas escolhem fazer parte do grupo A e não fazer parte do grupo B e da identidade única aos membros.
Porém as tribos não são fixas, uma pessoa pode pertencer a vários grupos simultaneamente pois ela própria é um misto de hábitos e culturas. Então posso fazer parte dos grupos A B e C hoje e amanhã apenas de B e C por exemplo. E é justamente esse movimento infinito de indas e vindas das tribos que torna a vida em sociedade tão diversa e rica.
(crédito da foto: Portal Amazônia)

sábado, 4 de setembro de 2010

Apresentando a nossa tribo

Em outubro de 2009 a revista Super Interessante publicou uma reportagem que surpreendeu: baseada em um estudo feito pela Universidade de Harvard durante 70 anos, o texto enfatizava que o segredo da alegria humana estava na arte de fazer e manter amigos.
Algo que parece tão simples, mas, na prática, tem lá suas complicações. Crianças e adolescentes começam suas vidas escolares com o objetivo de encontrar colegas que gostem das mesmas coisas que eles. As semelhanças chamam a atenção e, depois de marcar encontros, conversas, telefonemas e emails, acaba surgindo uma amizade que pode durar anos e ficar maior, atraindo mais amigos e formando grupos: as tribos.
Longe de ser somente coisa dos “mais jovens”, o homem, como ser social, sente necessidade durante toda a sua vida de formar parcerias com aqueles que tenham afinidade: seja um corte de cabelo parecido, um gosto musical atraente, o amor por determinado filme ou só juntar a turma do futebol no fim de semana.
O Nas Tribos é um blog que nasce com o objetivo de apresentar um grupo a outro, quebrar prováveis preconceitos e mostrar que a diversidade não é motivo para conflitos ou discórdia, mas para criar a cultura da sociedade. Todas as terças, quintas e sábados haverá uma nova postagem e, quem sabe, a sua tribo não aparece por aqui?!