Mostrando postagens com marcador entrevista. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador entrevista. Mostrar todas as postagens

sábado, 23 de outubro de 2010

Entrevista II


Dando continuidade às entrevistas com profissionais que lidam com o comportamento humano, a conversa de hoje é com a psicóloga Nora Rabinovich. Ela nos conta qual a importância de fazer parte de um grupo, como isso afeta o homem e a influência disso na vida em sociedade.


Nas Tribos
:
Por que é importante, do ponto de vista psicológico, as pessoas se reunirem em grupos/ tribos?

Nora Rabinovich: O grupo quando sintoniza com nossas necessidades psicológicas permite desenvolver no indivíduo o sentimento que proporciona segurança emocional. Assim a pessoa sente-se protegida, apoiada, transmitindo o sentido de pertencimento, tão raro ao ser humano que se reconhece como gregário.

Nas Tribos: Não pertencer a um grupo, com interesses em comum, pode causar problema psíquico?

Nora Rabinovich: Os grupos podem funcionar como curadores sociais e a convivência atua como vacina contra as ameaças à saúde física e mental. Em determinados momentos de fragilização do indivíduo, tais como situações conflitivas e de vulnerabilidade, as relações sociais intensas e positivas vivenciadas nos grupos promovem companhia e prazer.

Nas Tribos: Qual o poder de influência do grupo em seus membros?

Nora Rabinovich: As identificações entre os pares promovem uma validação da identidade do sujeito e assim a autoestima dos seus membros fica preservada. A vida em grupo ajuda a conter angustias individuais.
Muitas vezes o contágio emocional entre os membros evidencia-se com clareza. O espírito de grupo: “um por todos, todos por um” proporciona desenvolvimento individual e grupal quando o objetivo é positivo. No entanto quando ansiedades e defesas dos seus membros cristalizam-se manifestam-se também estados regredidos que tomam conta do psiquismo. Vale dizer também que quando o grupo não reflete as necessidades do indivíduo , o sentimento de incompreensão podem ser potencializados chegando até extremos de fobia social e isolamento.


crédito da foto: totodacabeca.blogspot.com

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Entrevista

Hoje posto uma entrevista com o professor André Arruda pesquisador em sociologia sobre Tribos Urbanas

Nas Tribos: O que é tribo? Como elas se estruturam?

André Arruda: Na verdade, para falar de tribos urbanas é mais fácil definir o que tribo urbana não é: não é um conceito nem uma categoria acadêmica. Pode ser uma metáfora utilizada pelo senso comum que ajuda a ter noção de conjuntos de fenômenos e relações nas grandes metrópoles constituídos por grupos de jovens entre 13 a 30 anos de idade envolvidos em atividades e praticas cotidianas com as quais se identificam. O termo tribo é usado pelos meios de comunicação para facilitar a identificação desses grupos. Isso acaba prejudicando a compreensão do termo que pode ser visto como preconceituoso e estereotipado como violento e radical.

Nas Tribos: O homem tem a necessidade de viver em grupo. Como isso ocorre?

André Arruda: Os seres-humanos não vivem isolados. Na convivência cotidiana é natural que o homem vá buscando vínculos e níveis diferenciados de interação. Assim vai se construindo e descobrindo características de identificação. Cada indivíduo é feito por várias associações de gostos e afinidades, acontece uma bricolagem de elementos que definem o sujeito. É reconfortante saber que você pertece a um grupo, que não está sozinho no mundo.

Nas Tribos: Sobre as Torcidas Organizadas, por que existe tanta rivalidade dentro de uma mesma torcida?

André Arruda: A mesma coisa que os une, os separa, apesar de todos terem a mesma paixão por um time, por exemplo, o Palmeiras. A maneira como vão demonstrar essa paixão e como esse grupo de torcedores vai ser conduzido, vai ser diferente porque a disputa pelo poder está muito presente. O objetivo coletivo poder ser o mesmo -torcer pelo Palmeiras- porém as ambições pessoais de cada membro influenciam na postura do conjunto. Existe uma disputa para saber qual torcida é a mais legitima, a mais exclusiva. O que se busca é um status social mais elevado, a pessoa se sente mais valorizada.

Nas Tribos: Como lidar com o preconceito que as tribos sofrem?

André Arruda: Isso acontece porque ao pensar em tribos nós já temos uma imagem pré- concebida de algo ruim. A maioria das pessoas busca se comportar de maneira “normal” e se adequar as diversas situações do cotidiano. Tudo aquilo que se destaca, que se apresenta de maneira diferenciada da maioria, vai sofrer um olhar estigmatizante, de surpresa, espanto e às vezes de repulsa. Mas depende do ambiente e de como as pessoas irão identificar a atitude de determinado grupo. As pessoas acabam se acostumando com o diferente depois de um tempo de convivência.

crédito da foto: oglobo.globo.com