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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Uma paixão sem limites


Torcedores enfrentam longas viagens para acompanhar seus times e demonstrar amor e dedicação incondicionais pelos seus clubes de futebol

Anteriormente, foi feito uma narrativa contando como é um dia de jogo para uma torcida organizada . O blog Nas Tribos apresenta 4 perfis de integrantes de diferentes torcidas, para entender melhor esse universo da paixão pelo futebol.



Felipe Duarte - Torcida: Força Jovem do Vasco
(Clube de Regatas Vasco da Gama)

Felipe mora em Volta Redonda-RJ, tem apenas 17 anos e desde 2007 participa de torcida. "Nesses 4 anos aprendi o suficiente para ser um Força Jovem de verdade." O amor pelo Vasco e a admiração pela torcida, o fez escolher participar dessa organizada. Neste ano, Felipe fez a sua primeira viagem para acompanhar seu time fora do Rio de Janeiro. Ele enfrentou 6 horas de viagem de ônibus para acompanhar Palmeiras e Vasco no Estádio do Pacaembu, na cidade de São Paulo: "A primeira caravana a gente nunca esquece, foi muito responsa!"

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Fernando Laudilino dos Santos - Torcida: Gaviões da Fiel
(Sport Club Corinthians Paulista)


Por incentivo de amigos, Fernando, 19 anos, resolveu entrar para os Gaviões da Fiel. Ele mora no municipio de Carapicuiba, Zona Oeste de São Paulo e já foi para vários lugares ver o Corinthians jogar. "Já fui para o Rio de Janeiro, Minas Gerais, Curitiba, Santa Catarina, Goiania, Rio Grande do Sul. Para caravanas no interior de São Paulo como Ribeirão Preto, Araraquara, Presidente Prudente, Barueri, Santos." Mas para ele o jogo e a viagem que mais marcou foi o título brasileiro em 2005 contra o Goiás, em Goiania. Fernando já passou por várias situações de perigo estando em torcida "Quem está em uma torcida organizada tem que estar disposto a tudo" porém, para ele vale muito a pena: "Estar na arquibancada com a família Gaviões, cantando e vibrando com o coração, incentivando o Coringão a ganhar mais uma partida!"

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Jair Augusto - Torcida: Torcida Uniformizada do Palmeiras
(Sociedade Esportiva Palmeiras)

Jair, 22 anos, mora em Cuiabá-MT, longe da casa do seu time de coração: o Palmeiras. Mas, apesar da distância ele faz parte de uma torcida organizada desde 2002: "Entrei pra Torcida pelo meu time. Acredito que somos a voz do 'povão' em geral na arquibancada, além de sempre estarmos presente em todos os lugares." Jair escolheu participar da T.U.P pois se identificou com a ideologia: "Ela em primeiro lugar ama o Palmeiras e depois outras coisas. Algumas torcidas amam em primeiro lugar a 'organizada' para depois amar o clube." Para ele a melhor coisa que existe dentro de uma torcida são as amizades e o respeito, não importando a classe social ou cor.

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Rodrigo Hubert - Torcida: Leões da Fabulosa
(Associação Portuguesa de Desportos)

Há quase 10 anos na Torcida, Rodrigo, 27 anos, atualmente é diretor de bateria e das faixas e bandeiras da Leões da Fabulosa. Ele logo se identificou com o clube e com a torcida, por morar perto do seu time do coração. Rodrigo já viajou várias vezes para torcer pela Portuguesa: "Já fui para Curitiba, Rio, Minas, Manaus, Belém, Florianópolis e várias outras cidades. Geralmente a viagem é cansativa porque muitas delas demoram cerca de 6 a 18 horas, como em Anapólis em Manaus que foram 8 horas de avião e mais 4 de balsa" Para ele vale todo o esforço: "O que me motiva é a história da torcida que sempre se fez presente nos estádios e também a paixão pelo time."
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Não são só os homens que participam de uma torcida e amam seus clubes de futebol. Apesar de ser um esporte predominantemente masculino, as mulheres também viajam para ver uma partida, participam ativamente de torcida e amam seus times. Cada vez mais a participação feminina é tão expressiva dentro da torcida que são criados núcleos, faixas e bandeiras para elas:




Nucléo feminino da torcida Inferno Coral
(Santa Cruz)



Comando Feminino da torcida Império Alviverde
(Coritiba)




Slogan criado para a torcida feminina da Jovem Fanautico
(Naútico)


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Veja também: Este site fala de todas as torcidas organizadas do Brasil, com várias fotos, entrevistas e informações como o Estatuto do torcedor.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O mundo das Torcidas Organizadas

Desde que nasci sou Palmeirense, algo que “herdei” dos meus pais. Não foi nada imposto por eles, apenas cresci vendo os jogos do Palmeiras e comecei a gostar... E muito. Quando eu era pequena ia a poucos jogos, meu pai tinha medo da violência que muitas vezes acontece nos estádios de futebol. Mas, a partir de 2008, quando fiz 18 anos, comecei a ir mais às partidas.

Ir a um jogo de futebol é muito mais emocionante do que simplesmente ver pela televisão, e quem faz isso ser possível –também- são as torcidas organizadas de futebol. Eu sempre gostei muito do modo delas torcerem e então resolvi entrar para a T.U.P (Torcida Uniformizada do Palmeiras). Fiz essa escolha por já possuir uma simpatia e porque meu pai sempre visitava a loja perto do estádio Palestra Itália, mesmo não sendo associado. Eu tinha, sim, um pouco de receio das organizadas por causa da opinião formada pela mídia, porém aos poucos fui conhecendo melhor, fazendo amigos e descobrindo mais sobre esse universo das torcidas.

Palmeiras 0 x 2 São Paulo: o "Choque-Rei"

Cheguei na sede da torcida às 13:30, e todos os integrantes já estavam preparados para partir para o jogo que aconteceria ás 16 horas no Pacaembu. Como já sou de torcida procurei ir nesse jogo com um outro olhar.

Todos os integrantes caminharam até o Pacaembú, que fica a 20 minutos da sede e, junto, um ônibus da T.U.P levava os materiais da torcida (faixas, bixigas, bandeirão, bateria). A Avenida Pacaembú parou, pois os carros só circulavam de um lado da faixa e as outras se destinaram a escolta da polícia e aos torcedores. Nesse dia a T.U.P iria estreiar um bandeirão novo e os integrantes do patrimônio (cuidam das faixas e da subida do bandeirão) estavam anciosos pois nada podia dar errado, já que a estréia seria com um dos maiores rivais.

Chegando ao estádio, os integrantes que cuidam do Patrimônio foram a um local destinado a eles para poder abrir a faixa e a bandeira e assim ser confiscado pela polícia para averiguar se não havia nada ilicito, arma ou algo que pudesse atingir alguém no jogo. Depois da revista, tanto do material quanto de cada integrante, o próximo passo era estender a faixa com o nome da torcida no local já estabelecido (cada torcida possui um território já demarcado.

Bandeirão da T.U.P chegando ao estádio

Em todas as partidas, na entrada dos jogadores, a torcida grita o nome de cada titular e o nome do técnico. Após o hino nacional, todos se abraçam e cantam o hino do time. Dado o apito inicial, começam os gritos das torcidas, a Mancha Verde- maior organizada do Palmeiras- de um lado e a T.U.P -torcida mais antiga do Palmeiras- de outro. As duas cantam gritos totalmente distintos, já que algumas músicas exaltam o nome da torcida, porém, existem músicas que são cantadas por ambas. O "coração" de uma torcida organizada é a bateria e a partir dela os integrantes espalham-se pela arquibanda. É na bateria que são puxados os gritos de incentivo ao time.

Bandeirão da T.U.P


O que é interessante destacar é que enquanto um "torcedor comum" assiste o jogo todo sentado, o torcedor da organizada possui uma atitude oposta: assiste sempre de pé, cantando e pulando os 90 minutos.

Um membro de Organizada é o trabalhor, a estudante, a dona de casa, o malandro, o advogado. A condição de torcedor e, mais ainda, a de pertencer a uma torcida, é para aqueles que amam seus times de futebol e querem apoiar de algum modo. A torcida é um grupo, ou melhor, tribo complexa, mas que reune pessoas com um mesmo objetivo e gostos.

Recomendo um blog de dois fotografos que acompanham as torcidas dos times de futebol o Foto Torcida. No blog Olhar sobre o mundo, os fótografos do jornal Estadão acompanharam a torcida do Corinthians em comemoração ao centenário do time.
No post do blog Aifoine há um texto falando sobre a violência nas torcidas organizadas.