terça-feira, 26 de outubro de 2010

Tribo ou profissão?

Pode um hobby se transformar em profissão? Temos lido aqui no blog que as tribos são formadas por pessoas que tenham gostos em comum; citando o professor André Arruda: "tribo urbana não é um conceito nem uma categoria acadêmica", mas o que fazer quando o gosto resolve interagir com o ambiente profissional?
Desde 2007 eu participo de uma tribo, ou melhor, uma Orquestra. A Filarmônica Educacional SoArte possui o diferencial de ser um conjunto não somente formado por músicos profissionais, mas também amadores, envolvendo crianças e idosos, não importando a classe social. Ou seja, a entrada é livre para qualquer um que saiba tocar um instrumento, queira conviver mais com a música e saiba manter compromissos para vários finais de semana.
No meio dos instrumentos se encontram distintas profissões, desde o professor até o arquiteto, mas nos sábados de manhã o objetivo desses mais de 80 componentes é um só: fazer música. Na mistura de idades, histórias e conhecimentos, a dificuldade está em conciliar todos esses talentos, aparentemente escondidos durante a semana, mas que vêm à tona quando estão à frente de uma partitura e de um regente.A música, muitas vezes, começa como um simples divertimento, mas essa "distração" pode crescer. Entre os instrumentistas da Orquestra SoArte, também se encontram aqueles que almejaram mais e hoje já são músicos profissionais. Para alguns essa arte pode ainda ser vista como puro entretenimento, mas a cada dia esse mercado tem crescido e há espaço para aqueles que se dedicam e estudam muito, já que a concorrência é grande. Aqui no blog as tribos são levadas a sério e o mero "gostar" pode se tornar uma formação acadêmica. No SoArte você encontra tanto aqueles que veem a orquestra como um compromisso do fim de semana (a ser levado a sério, mas não no patamar de uma profissão) como aqueles que sustentam suas vidas tocando um instrumento. Não importa se temos outras ambições, ou se nosso sonho é ser o novo talento da música; o que importa é que quando nos reunimos, nós fazemos uma das coisas que mais gostamos e mostramos o nosso talento, seja em uma tribo ou em uma profissão.

sábado, 23 de outubro de 2010

Entrevista II


Dando continuidade às entrevistas com profissionais que lidam com o comportamento humano, a conversa de hoje é com a psicóloga Nora Rabinovich. Ela nos conta qual a importância de fazer parte de um grupo, como isso afeta o homem e a influência disso na vida em sociedade.


Nas Tribos
:
Por que é importante, do ponto de vista psicológico, as pessoas se reunirem em grupos/ tribos?

Nora Rabinovich: O grupo quando sintoniza com nossas necessidades psicológicas permite desenvolver no indivíduo o sentimento que proporciona segurança emocional. Assim a pessoa sente-se protegida, apoiada, transmitindo o sentido de pertencimento, tão raro ao ser humano que se reconhece como gregário.

Nas Tribos: Não pertencer a um grupo, com interesses em comum, pode causar problema psíquico?

Nora Rabinovich: Os grupos podem funcionar como curadores sociais e a convivência atua como vacina contra as ameaças à saúde física e mental. Em determinados momentos de fragilização do indivíduo, tais como situações conflitivas e de vulnerabilidade, as relações sociais intensas e positivas vivenciadas nos grupos promovem companhia e prazer.

Nas Tribos: Qual o poder de influência do grupo em seus membros?

Nora Rabinovich: As identificações entre os pares promovem uma validação da identidade do sujeito e assim a autoestima dos seus membros fica preservada. A vida em grupo ajuda a conter angustias individuais.
Muitas vezes o contágio emocional entre os membros evidencia-se com clareza. O espírito de grupo: “um por todos, todos por um” proporciona desenvolvimento individual e grupal quando o objetivo é positivo. No entanto quando ansiedades e defesas dos seus membros cristalizam-se manifestam-se também estados regredidos que tomam conta do psiquismo. Vale dizer também que quando o grupo não reflete as necessidades do indivíduo , o sentimento de incompreensão podem ser potencializados chegando até extremos de fobia social e isolamento.


crédito da foto: totodacabeca.blogspot.com

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Na balada - The Clubbers



Qual a balada de hoje?
Não se contenta em assistir a um filminho no sabadão
na TV que enfeita a estante da sala?
Seus amigos não param de te ligar,
de enviar torpedos, twittar loucamente?
Aquela roupa nova parece te chamar para ser usada na sexta à noite?
Você precisa muito jogar conversa fora,
rever os amigos depois de uma semana cheia
de coisas na faculdade,
beber, dançar madrugada adentro?




Caso considere ser detentor das características citadas...
Saiba então que você é um clubber, ou melhor dizendo, um legítimo baladeiro!

A balada hoje é aqui e você não está sozinho na curtição.
O Nas tribos te apresenta o perfil de 5 baladeiros de carteirinha.

WE ARE BALADEIROS!

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Nully ( no meio) e amigos
Nully Nunes passou das três décadas de vida, mas não difere a atual idade com a de de quando estava no alto dos 20. Baladeiro, o cabeleireiro não considera justo o preço das bebidas nas boates (o que também não o impede de ir ao menos uma vez por mês). Normalmente acompanhado por cinco fiéis amigos, Nully revela que balada é sinônimo de pegação, dança... Na utilização do bom termo “zoação”. Segundo ele, muitas baladas estendem, além de madrugada afora, a manhã seguinte - o chamado “after”. Alguns lugares oferecem opções mais diversas, como piscinas (as Pool Parties). “Sair de balada vale a pena porque é uma terapia”, afirma o cabeleireiro.

Veja as baladas preferidas de Nully: The Week e Bubu Lounge Disco

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Michelli Gonçalves
Michelli Gonçalves tem 24 anos. Nasceu em Bauru, mas mora em São Paulo há 2 anos. O número oscila entre 1 e 2, as vezes em que ela costuma sair para baladas semanalmente. Embora transite entre as principais danceterias da capital, Michelli revela que não gasta um centavo na noite paulistana: “Tenho contato com amigos que são sócios de algumas casas noturnas de SP, e acabo entrando na lista VIP”. Assim que a maioridade foi apontando, a jovem tornou-se uma baladeira. Desde os 17, 18 anos costuma sair sempre com os mesmos amigos, que para Michelli, não se restringe meramente a pista de dança. “Balada me distrai. É curtição. É risada com os amigos sempre... Me faz bem!

Veja as principais baladas frequentadas por Michelli: Pink Elephant, Disco Club, Café de la Musique, Anzu (em Itu)

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Raquel (à esquerda) e amigos
A programação do final de semana está sempre garantida para Raquel Awade: BALADA! A jovem de 23 anos, natural de São Paulo, costuma desfrutar a night cerca de oito vezes por mês. Para cada uma delas, as contas da moça não ultrapassam R$ 50 (normalmente o valor do estacionamento), pois normalmente não paga para entrar em casas noturnas. “Não tenho com o que perder a noção. Controlo os dias que vou sair para não gastar muito com gasolina e estacionamento", comenta. Raquel afirma ter um grupo fixo de "baladeiros" e que a importância da balada está em se divertir e socializar.

As baladas que não saem da lista de Raquel: Pink Elephant, Royal CLub, Mokai, Disco Club

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Hoje David Martins vive capital, mas quando principiava a tornar-se
o baladeiro que é, embora a grana curta, não perdia a oportunidade e se deslocava de Jundiaí às baladas de Sampa."Se eu tivesse dinheiro sempre eu saía". Eclético, aos 23 anos, o jovem aprecia uma grande variedade de estilos: forró, clubes de música eletrônica, baladas GLS e espaços sertanejos. "Quando saio para balada me transporto a outra realidade", afirma. Ele revela ainda jamais sair sozinho, pois sempre está acompanhado de amigos e familiares ao menos dois finais de semana por mês.

David assistindo show de dj em balada

As preferidas de David na noite paulistana: Expresso Brasil, Coração Sertanejo, Porto Alcobaça

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Fabriccio em balada à fantasia
Frabriccio tem 21 anos. É solteiro. É universitário. E também é baladeiro. Costuma reunir-se com os amigos, em média oito vezes por mês. Em cada balada, entre as mais caras e as outras menos, o jovem desembolsa cerca de cem reais. "Antes eu não tinha noção do quanto gastava quando saía. Hoje em dia tenho, porque trabalho e gasto meu próprio dinheiro", comenta. Fabriccio afirma não há um grupo fixo de balada. Há amigos que costumam sair juntos, o que vai gerando novas apresentações por meio de amigos em comum e, consequentemente, gerando novas amizades. Além da diversão, o universitário aponta que a grande importância das baladas está em formar boa parte da vida social.

Algumas das baladas que Fabriccio curte: Heaven Club, Gambiarra, Kiss, Royal CLub, Vila Country

Assista ao vídeo sobre os "The Clubbers"



Indicações para a curtição na night:

- Noite Paulistana o blog que liga você ao que rola na cidade mais balada do Brasil

- Balada Certa o site que te deixa a par sobre as principais baladas, festas e shows do Brasil.


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Você está assistindo?


No último episódio você acompanhou a história de Naruto. Também nele uma pergunta foi lançada. O que seria um Otake? E uma Otame? Otake é considerado o menino ou o jovem que acompanha animes e mangas, sendo o feminino disso Otame.

Apresento para finalizar esse matéria um anime e manga que busquei que se distanciasse da ideia pre concebida que temos, achando que esse é um universo infantil e nada construitvo.


XXX Holic

É um anime e manga que aborda de uma forma simbolista, mitológica, religiosa problemas de vícios (holic em inglês) do nosso cotidiano e que as vezes nem percebemos que temos e que prejudicam a nós e as pessoas que nos cercam. A história começa com um rapaz, um estudantes de ensino médio, órfão, introspectivo e atrapalhado que sofre de atormentações espirituais. Certo dia enquanto caminhava, cansado e exausto é "atacado" por um desses espíritos. Momentos depois, avista uma bela casa que jamais a havia notado. Uma força estranha o atrai para dentro da casa e. ao entrar é recepcionado por 2 pequenas garotas que o conduz até a sua mestra.Ella na verdade é uma feiticeira que realiza o seu mais profundo desejo, mas sempre pegando algo em troca.

Ela promete ajudar ele, porém em troca ele terá que trabalhar para ela nos afazeres domésticos. Enquanto trabalha pra ela, ele presencia várias pessoas, com os mais variados problemas e grau de desespero procurando pela feiticeira. Presencia desde pessoas com problemas de mentira compulsiva, baixa auto-estima, excesso de confiança, vicio de tecnologia, até espíritos desencarnados com dificuldades de se desprenderem do mundo material. Algumas dessas histórias tem desfechos trágicos, outro felizes.

O desenrolar

Nos 10 primeiros episódios e nos primeiros mangas, a história é retrata uma moça que por uma força estranha, também sem entender o que estava acontecendo entra na mansão da feiticeira. A
a feiticeira pergunta se ela tem algum desejo, algum problema que gostaria de solucionar. A moça fala que tem uma ótima vida, um bom emprego, um namorado, que é muito feliz, realizada e que o único problema que a incomoda é que seu dedo mindinho a algum tempo não se mexia. Então,
a feiticeira prontamente lhe dá um anel para colocar no dedo, e a alerta ela, sobre algum possível problema que ela tenha, e que ela teria que mudar seu modo de ser, mas a moça reafirma que não tem problema nenhum, agradece o anel e vai embora.

O rapaz que trabalha para feiticeira (que é muito sensível espiritualmente) percebe que do anel sai uma "fumaça misteriosa" e que somente ele vê. Ele começa a seguir a moça, pra saber o que acontece com ela e descobre que, na verdade, ela é uma mentirosa compulsiva. Toda pessoa que ela encontra em seu caminho, conta algo diferente da realidade dela. E quanto mais ela mente, mais da fumaça sai do anel. Consequentemente, mais partes do corpo dela começam a se paralisar. Até, que quando ela ia atravessar a rua, ela acaba perdendo totalmente os movimentos do corpo, e é atropelada e morre. A fumaça pode ser vista como a cegueira que as mentiras provocam, o quanto as mentiras sufocam a pessoa que as conta.

E que se a pessoa que tem isso, não acordar rapidamente, não tentar se livrar desse vício (o de contar mentiras) poderá ter graves consequências em sua vida. Claro que não a perca de movimentos e possível morte. A morte e a paralisação tem o significado da perda de sua liberdade. Afinal quem mente, não é livre, pelo contrário, é preso pelas mentiras que conta.

E assim XXX Holic se desenrola, mostrando vários problemas, desde comuns, até os ligados a mitologia japonesa refletidos na área espiritual.

A estudante Danatiele Segato, de 22 anos, que acompanha a muitos anos XXX Holic , comenta: “ É assim o aprendizado que ele pode lhe oferecer, depende da forma como você se entrega ao assistir um anime. Se você sentar na frente do computador ou TV pensando que é algo infantil, que não vai te ajudar em nada, realmente, ele te passará essa mensagem. Mas se você se posicionar como, eu quero aprender algo com isso, eu quero apreciar os traços do desenho, a qualidade, a música, a dublagem, com certeza será muito prazeroso.”

Todo anime, todo manga, todo filme, enfim, todas as narrativas nos apresentam múltiplos elementos, uma variedade de histórias que se cruzam e nos ensinam algo. Aprender ou não com aquilo depende (como mesmo salientou Danatiele) da forma que você encara. Não quero com isso defender nenhum anime ou manga que parece sem nexo, mas é inegavél que tudo que nos é estranho, é geralmente mais condenado. Talvez para preservar a nossa cultura, nossas verdades não tão inabaláveis optamos por querer rejeitar logo de cara.

O tema desse blog é justamente esse. Convivendo com tribos urbanas podemos aprender algo que está além de qualquer comportamento transmitido por elas. Podemos aprender a deixar de lado o esteriótipo, o lugar comum. Para que nunca viu sua vida detrás para frente, talvez seja uma boa simbologia para experimentar algo. Até mais!

sábado, 16 de outubro de 2010

Você já assistiu?

Anime é originário da cultura japonesa. Engana-se quem acredita que ele é mera distração para crianças. Os "otakus” e a “otame” que fazem parte dessa matéria nos ajudam a compreender esse universo paralelo de linhas e sonhos.

Eles são estudantes. Suas idades variam entre 14 e 17 anos. Não se reúnem para jogar ou falar de futebol. Suas falas dizem em certos momentos muito mais da cultura oriental, do que dos nossos próprios trópicos. Apresento-lhes: Alan, Ricardo, Junior e Bruno. Também, apresento-lhes: Naruto.
Esse último nome não faz parte dessa tribo. Não fisicamente, como um ser que se alimenta, mas alimenta a mente desses jovens com histórias de heroísmo que, por sua vez, alimentam o imaginário de toda a Humanidade. Ele é a razão para que eles se reúnam todas as semanas, tornando-os, assim, uma tribo, pois compartilham não só ideias como também, uma variedade de objetos desse anime que os apresentarei nas próximas linhas. Por favor! Fiquem atentos a tela do monitor para não perderem nada.

Com vocês: Naruto.

Naruto (criação de Mmasahi Kishimoto), é um anime estilo shonen (voltado mais para o sexo masculino), que conta história de um garoto que sonha em ser o guerreiro mais forte da sua vila, o qual se denomina hokage. O mundo desse anime é composto por cinco nações. Aliás, você sabe qual a diferença de Anime e Manga? Verifique no final da matéria, no item saiba mais*

Cada nação ou país tem uma vila e nelas existem um guerreiro que é considerado mais forte. O esquema abaixo ajudará na compreensão.
Nação Vila Líder
Água Névoa
Mizukage
Fogo Folha Hokage
Vento Areia Kazekage
Terra Pedra Tsuchikage
Trovão Nuvem
Raikage

Essas são as cinco maiores nações ninjas, mas existem outras menores. Portanto, esse é um anime que fala sobre ninjas, cujos vilões da história pretendem destruir a vila que mora o personagem de Naruto.
Alan que, gentilmente, me cedeu a entrevista revela o porque acompanha esse anime: “Há muito tempo eu acompanho Naruto, acho a história legal e tem uma trama envolvente, sobretudo, gosto da personalidade do protagonista, a sua maneira de nunca desistir e sempre acreditar em si mesmo e correr atrás dos seus sonhos”. Você pode até não acompanhar ou detestar qualquer tipo de anime, mas é inegável que nos motivamos seja com um personagem de um livro, uma série de TV, por seres reais ou virtuais que nos demonstrem coragem e sabedoria. Os vilões podem até nos encantar em certos momentos, contudo, torcemos para que no fim o bem sempre triunfe.

A entrevista não termina aqui e vocês poderão acompanhar o desenrolar dela ainda essa semana, acessando esse blog. No próximo capítulo conhecerá o que é um “otake” e uma “otame”. Até lá pessoal!

*Saiba mais: Manga é como o nosso gibi, mas ele é lido de trás para frente. Já o Anime se assemelha com um desenho animado. Tanto um como o outro, tem origem, muitas vezes, baseadas em mitos japoneses. Atualmente, o manga Naruto está em seu capítulo 511 e é semanal.